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terça-feira, 14 de julho de 2026

O Segredo por Trás do Esquadro: Qual é a Verdadeira Potência Primaz da Maçonaria no Brasil?

Se você perguntar a um maçom brasileiro sobre as origens da Ordem no país, a resposta na ponta da língua provavelmente será uma narrativa bem consolidada: em 1815, fundou-se a Loja "Comércio e Artes" no Rio de Janeiro e, em 1822, ela se dividiu em três para dar origem ao Grande Oriente do Brasil (GOB), a aclamada Potência Primaz.

Mas e se a história que nos contam nos templos e nos livros oficiais omitir um capítulo inteiro — e muito mais revolucionário?

Prepare-se para desconstruir mitos. A verdadeira história da Maçonaria brasileira não começou no Rio de Janeiro imperial, mas sim no calor conspiratório do Nordeste.

Muito Antes de 1822: O Berço Baiano

A verdade histórica, documentada e resgatada por pesquisadores, mostra que a semente maçônica foi plantada em solo brasileiro bem antes do que a historiografia oficial costuma divulgar.

O historiador Borges de Barros revela que a pioneira absoluta em solo nacional foi a Loja "Cavaleiros da Luz", fundada em 14 de julho de 1797, em Salvador, Bahia. Mesmo após a sua dissolução, o movimento não parou:

1801: Surge a Loja "Reunião" no Rio de Janeiro.
1802: Nasce a Loja "Virtude e Razão" (Salvador), que geraria novas ramificações nos anos seguintes.
1812: É fundada a Loja "Distintiva" em Niterói.

Tudo isso aconteceu antes mesmo da fundação da "Comércio e Artes" em 1815.

O Verdadeiro Primeiro "Grande Oriente"

O ponto de virada na história maçônica nacional ocorre em 1809. Treze anos antes da criação do GOB, foi fundado em Salvador o Grande Oriente Brasileiro — a verdadeira primeira potência maçônica do país.

Esta potência pioneira não era um movimento isolado; ela contava com uma estrutura robusta de pelo menos 9 Lojas distribuídas estrategicamente:

03 na Bahia
04 em Pernambuco
02 no Rio de Janeiro

Pernambuco, que concentrava a maior força dessa potência, chegou a abrigar uma Grande Loja Provincial filiada a esse Grande Oriente em 1816.

Maçonaria de Luta: A Revolução de 1817

Ao contrário da maçonaria "situacionista" que mais tarde se aliaria ao Império para garantir uma transição de poder pacífica e conservadora, esse primeiro Grande Oriente Brasileiro tinha uma veia profundamente oposicionista e libertária.

Membros ilustres e fundadores dessa primeira potência — incluindo Antônio Carlos de Andrada, Grão-Mestre da Grande Loja Provincial de Pernambuco — foram mentes brilhantes por trás da Revolução Pernambucana de 1817.

O impacto e o protagonismo dessa maçonaria revolucionária foram tão grandes que, em 1818, uma lei régia foi promulgada proibindo terminantemente o funcionamento de sociedades secretas no Brasil.

Um Dever Moral com o Passado

A história oficial costuma ser escrita pelos vencedores ou por aqueles que se mantiveram próximos ao poder estatal. A maçonaria que assistiu à Independência do Brasil em 1822 optou por um caminho de conciliação com a coroa e com o imperialismo.

No entanto, antes dela, homens corajosos derramaram sangue, sofreram perseguições e defenderam os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade na marra.

Celebrar o dia 14 de julho e resgatar a fundação da Loja "Cavaleiros da Luz" não é apenas um preciosismo histórico. É um dever moral de todo maçom e simpatizante da história brasileira honrar a memória daqueles que ousaram sonhar com uma república livre muito antes de o grito do Ipiranga ecoar.

Referências Bibliográficas:
DE BARROS, F. B. Primórdios das Sociedades Secretas na Bahia. In: Annaes do Arquivo Público da Bahia, Vol. XV. Salvador, 1928.
MAGALHÃES, P. A. I. A Cabala Maçônica do Brasil: o primeiro Grande Oriente Brasileiro. Revista do IAHGP, Recife, 2017.
MOREI, M.; SOUZA, F. J. O. O poder da Maçonaria. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.
ISMAIL, K. História da Maçonaria brasileira para adultos. Londrina: A Trolha, 2017.
ISMAIL, K. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025.
Adaptação Evandro Lecey e imagem criada por IA

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